| Enviar esta foto por e-mail |
|
ROTA - 1997
Estado de São Paulo - Caderno 2 São Paulo, Brasil 21/Julho/1997 Por Helena Katz - Especial para o Estado 'ROTA' EXPLORA A RELAÇÃO ARTE-CIÊNCIA Depois da parede de alpinismo, Deborah Colker coloca no palco uma roda-gigante Rio - Os nomes de seus dois primeiros espetáculos - Vulcão e Velox - servem para defini-la. A veloz Deborah Colker é mesmo um vulcão. Tanto que já palco do mais novo teatro do Rio, o excelente Teatro da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), abandonado havia 25 anos e recuperado pelo seu atual diretor, Dino Carrera. Foi lá também que Deborah Colker transformou sua nova obra num vídeo. Depois da parede de alpinismo de Velox, ela agora pôs uma roda-gigante em cena. Depois da velocidade, fez da física do movimento o seu assunto. "O trabalho tem duas partes: na primeira, coreografo a ocupação do espaço e, na segunda, exploro os seus níveis", comenta o maior fenômeno de comunicação da história recente da dança brasileira. Velox, por exemplo, foi visto por mais de 100 mil pessoas. Nova cria - Quando fala da nova cria, Rota, os pequenos olhos azuis de Deborah Colker faíscam. "Em Velox, com a parede, busquei a verticalidade; a parede é estática, absorve a nossa energia", observa. "Mas a roda, não, ela tem uma dinâmica impressionante", continua. "A roda tem profundidade, devolve a informação que se põe nela e essa descoberta exigiu de nós outro tipo de atenção corporal, outro treinamento físico; foi duríssimo." A ficha técnica de Rota repete a equipe com quem Deborah vem trabalhando: Gringo Cardia na cenografia, Yamê Reis nos figurinos, Jorginho de Carvalho na iluminação e trilha sonora de Berna Ceppas, Alexandre Kassin e Sérgio Mekler. E isso é bom sinal, pois a continuidade facilita o refinamento de ajustes entre todos e os amadurece para a conquista de uma assinatura comum. Mas a maior novidade de Rota, que deve surpreender quem viu os dois trabalhos anteriores, é outra. Deborah Colker descobriu o balé como técnica para o corpo dos seus bailarinos e como estética na sua criação coreográfica. E mais: está usando também música clássica. Rota começa, quem diria, com o rondó da Serenata K 239, de Mozart e, mais adiante, ouve-se o scherzo de A Truta, de Schubert e, é claro, uma daquelas irresistíveis valsas de Strauss (Conto dos Bosques de Viena) - associação quase imediata com roda-gigante. Em alguns trechos dessa valsa, contudo, ela vem mixada com Brian Eno. "É a minha homenagem à técnica de balé clássico e à música erudita", conta. "Quis deixar isso claro até na maneira como identifico as partes do espetáculo," explica. "Ele está dividido em dois atos: no primeiro, quatro movimentos - allegro, ostinato, vigoroso e presto - e no segundo, para chamar atenção para o outro eixo, que é o da relação da arte com a ciência, os nomes passam a ser gravidade e roda. " O elenco subiu de 9 para 13 bailarinos e inclui muita gente nova. O s ensaios são na Fundição Progresso, onde a companhia construiu um espaço. "Temos um chão impecável', diz. Segundo ela, tudo foi planejado para funcionar com qualidade profissional em todos os sentidos. "Queremos fazer deste lugar um centro de pesquisa de dança e não uma academia a mais." Ela coreografa a comissão de frente da Mangueira desde 1995, estudou piano por dez anos e jogou vôlei durante cinco, entrou na Faculdade de Psicologia, mas não se formou. Em dança, vem do lendário Grupo Coringa, dirigido pela uruguaia Graziela Figueroa, que marcou o Rio na virada dos anos 70, início dos 80. "Só balé não dá, mas sem balé também não dá mais", comenta, fascinada. "Fiquei tão envolvida pelas questões que vieram desse contato com o balé, que minhas perguntas mudaram: onde fica o botão que impulsiona o movimento? O que projeta o movimento? Como fazer para que ele não acabe nem escorra pela ponta dos dedos? Que corpo estou construindo? Ele precisa fazer abdominal?" Por conta de toda essa inquietação, o dia-a-dia da companhia mudou. Deborah dá aula, João Saldanha ensina técnicas contemporâneas e Fauzi Mansur, o clássico. A nova aquisição foi Aírton Tenório, importado de Pernambuco há quatro meses. "Ele tinha uma companhia de homens lá e seu trabalho tem dado mais que certo conosco; sua aula é fantástica." Quem já viu o elenco em cena sabe que é formado por gente que trabalha duro. Com formações diversas, conseguem mostrar que andam envolvidos num processo de aquisição de vocabulário comum - fato precioso porque se trata de companhia bem jovem. A Cia. de Dança Deborah Colker foi adotada pela Prefeitura do Rio (leia-se Helena Severo) e conta também, pelo segundo ano, com patrocínio da BR-Petrobras Distribuidora. "Graças à BR, pudemos garantir a todos os bailarinos carteira assinada, seguro-saúde e participação nas bilheterias", informa o produtor da companhia, João Elias. "Adoramos fazer espetáculos para seis funcionários em cidades como Macaé, por exemplo; é maravilhoso poder compartilhar com todos os públicos." A temporada de Rota já marcada é poderosa. Depois do fim de semana em Curitiba, parte para Porto Alegre, Florianópolis e Londrina para, finalmente, aportar no Rio em 5 de setembro, no Teatro João Caetano, onde fica até o dia 28. Do Rio a companhia segue para Brasília, Goiânia, São João do Meriti, Macaé, Nova Iguaçu e Nova Friburgo. De 30 de outubro a 30 de novembro, é a vez de São Paulo, no Teatro Sérgio Cardoso. Depois, volta ao Rio para encerrar o ano no Teatro da Uerj e também numa rápida temporada popular no Teatro João Caetano. Até abril de 1998, fará mais apresentações no interior de São Paulo, em Belo Horizonte, Salvador, Aracaju, Recife, João Pessoa, Natal, Fortaleza, São Luís e Belém. A companhia só tem quatro anos, mas a agenda já é de gente grande. Trabalho mostra repulsa ao óbvio Rio - O teatro da Uerj é uma surpresa. "Depois do Municipal, este é o melhor do Rio", garante João Elias, o produtor. Há ainda vários ajustes a serem feitos. Mas o básico já está lá e o básico, nesse caso, foi a contaminação de Deborah Colker pelo balé. Era o antídoto á fúria de citações lineares de que ela precisava para minorar os efeitos dessa caligrafia óbvia no seu modo de coreografar. O balé levou-a a respirar novos ares, muito benéficos. Os embriões dessa nova mistura irrompem mais no primeiro ato, no qual Chopin reina. No segundo ato, o conhecido sabor do seu didatismo explícito ataca oura vez. Paira um certo sabor de vogueing, aquela dança das pistas de alguns anos atrás, dos contorcionismos que acabavam em poses. O mérito maior foi não ter tornado a roda-gigante simplesmente um efeito. Ela fica lá como um instrumento exploratório - e é ótimo o que acontece nela. A cena final, com os corpos incrustados como cracas, é genial. E poética. ©2003 Cia. de Dança Deborah Colker Todos os Direitos Reservados
07/12/2004 Publicada por Demetrio Teodorov
Estado de São Paulo - Caderno 2 São Paulo, Brasil 21/Julho/1997 Por Helena Katz - Especial para o Estado 'ROTA' EXPLORA A RELAÇÃO ARTE-CIÊNCIA Depois da parede de alpinismo, Deborah Colker coloca no palco uma roda-gigante Rio - Os nomes de seus dois primeiros espetáculos - Vulcão e Velox - servem para defini-la. A veloz Deborah Colker é mesmo um vulcão. Tanto que já palco do mais novo teatro do Rio, o excelente Teatro da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), abandonado havia 25 anos e recuperado pelo seu atual diretor, Dino Carrera. Foi lá também que Deborah Colker transformou sua nova obra num vídeo. Depois da parede de alpinismo de Velox, ela agora pôs uma roda-gigante em cena. Depois da velocidade, fez da física do movimento o seu assunto. "O trabalho tem duas partes: na primeira, coreografo a ocupação do espaço e, na segunda, exploro os seus níveis", comenta o maior fenômeno de comunicação da história recente da dança brasileira. Velox, por exemplo, foi visto por mais de 100 mil pessoas. Nova cria - Quando fala da nova cria, Rota, os pequenos olhos azuis de Deborah Colker faíscam. "Em Velox, com a parede, busquei a verticalidade; a parede é estática, absorve a nossa energia", observa. "Mas a roda, não, ela tem uma dinâmica impressionante", continua. "A roda tem profundidade, devolve a informação que se põe nela e essa descoberta exigiu de nós outro tipo de atenção corporal, outro treinamento físico; foi duríssimo." A ficha técnica de Rota repete a equipe com quem Deborah vem trabalhando: Gringo Cardia na cenografia, Yamê Reis nos figurinos, Jorginho de Carvalho na iluminação e trilha sonora de Berna Ceppas, Alexandre Kassin e Sérgio Mekler. E isso é bom sinal, pois a continuidade facilita o refinamento de ajustes entre todos e os amadurece para a conquista de uma assinatura comum. Mas a maior novidade de Rota, que deve surpreender quem viu os dois trabalhos anteriores, é outra. Deborah Colker descobriu o balé como técnica para o corpo dos seus bailarinos e como estética na sua criação coreográfica. E mais: está usando também música clássica. Rota começa, quem diria, com o rondó da Serenata K 239, de Mozart e, mais adiante, ouve-se o scherzo de A Truta, de Schubert e, é claro, uma daquelas irresistíveis valsas de Strauss (Conto dos Bosques de Viena) - associação quase imediata com roda-gigante. Em alguns trechos dessa valsa, contudo, ela vem mixada com Brian Eno. "É a minha homenagem à técnica de balé clássico e à música erudita", conta. "Quis deixar isso claro até na maneira como identifico as partes do espetáculo," explica. "Ele está dividido em dois atos: no primeiro, quatro movimentos - allegro, ostinato, vigoroso e presto - e no segundo, para chamar atenção para o outro eixo, que é o da relação da arte com a ciência, os nomes passam a ser gravidade e roda. " O elenco subiu de 9 para 13 bailarinos e inclui muita gente nova. O s ensaios são na Fundição Progresso, onde a companhia construiu um espaço. "Temos um chão impecável', diz. Segundo ela, tudo foi planejado para funcionar com qualidade profissional em todos os sentidos. "Queremos fazer deste lugar um centro de pesquisa de dança e não uma academia a mais." Ela coreografa a comissão de frente da Mangueira desde 1995, estudou piano por dez anos e jogou vôlei durante cinco, entrou na Faculdade de Psicologia, mas não se formou. Em dança, vem do lendário Grupo Coringa, dirigido pela uruguaia Graziela Figueroa, que marcou o Rio na virada dos anos 70, início dos 80. "Só balé não dá, mas sem balé também não dá mais", comenta, fascinada. "Fiquei tão envolvida pelas questões que vieram desse contato com o balé, que minhas perguntas mudaram: onde fica o botão que impulsiona o movimento? O que projeta o movimento? Como fazer para que ele não acabe nem escorra pela ponta dos dedos? Que corpo estou construindo? Ele precisa fazer abdominal?" Por conta de toda essa inquietação, o dia-a-dia da companhia mudou. Deborah dá aula, João Saldanha ensina técnicas contemporâneas e Fauzi Mansur, o clássico. A nova aquisição foi Aírton Tenório, importado de Pernambuco há quatro meses. "Ele tinha uma companhia de homens lá e seu trabalho tem dado mais que certo conosco; sua aula é fantástica." Quem já viu o elenco em cena sabe que é formado por gente que trabalha duro. Com formações diversas, conseguem mostrar que andam envolvidos num processo de aquisição de vocabulário comum - fato precioso porque se trata de companhia bem jovem. A Cia. de Dança Deborah Colker foi adotada pela Prefeitura do Rio (leia-se Helena Severo) e conta também, pelo segundo ano, com patrocínio da BR-Petrobras Distribuidora. "Graças à BR, pudemos garantir a todos os bailarinos carteira assinada, seguro-saúde e participação nas bilheterias", informa o produtor da companhia, João Elias. "Adoramos fazer espetáculos para seis funcionários em cidades como Macaé, por exemplo; é maravilhoso poder compartilhar com todos os públicos." A temporada de Rota já marcada é poderosa. Depois do fim de semana em Curitiba, parte para Porto Alegre, Florianópolis e Londrina para, finalmente, aportar no Rio em 5 de setembro, no Teatro João Caetano, onde fica até o dia 28. Do Rio a companhia segue para Brasília, Goiânia, São João do Meriti, Macaé, Nova Iguaçu e Nova Friburgo. De 30 de outubro a 30 de novembro, é a vez de São Paulo, no Teatro Sérgio Cardoso. Depois, volta ao Rio para encerrar o ano no Teatro da Uerj e também numa rápida temporada popular no Teatro João Caetano. Até abril de 1998, fará mais apresentações no interior de São Paulo, em Belo Horizonte, Salvador, Aracaju, Recife, João Pessoa, Natal, Fortaleza, São Luís e Belém. A companhia só tem quatro anos, mas a agenda já é de gente grande. Trabalho mostra repulsa ao óbvio Rio - O teatro da Uerj é uma surpresa. "Depois do Municipal, este é o melhor do Rio", garante João Elias, o produtor. Há ainda vários ajustes a serem feitos. Mas o básico já está lá e o básico, nesse caso, foi a contaminação de Deborah Colker pelo balé. Era o antídoto á fúria de citações lineares de que ela precisava para minorar os efeitos dessa caligrafia óbvia no seu modo de coreografar. O balé levou-a a respirar novos ares, muito benéficos. Os embriões dessa nova mistura irrompem mais no primeiro ato, no qual Chopin reina. No segundo ato, o conhecido sabor do seu didatismo explícito ataca oura vez. Paira um certo sabor de vogueing, aquela dança das pistas de alguns anos atrás, dos contorcionismos que acabavam em poses. O mérito maior foi não ter tornado a roda-gigante simplesmente um efeito. Ela fica lá como um instrumento exploratório - e é ótimo o que acontece nela. A cena final, com os corpos incrustados como cracas, é genial. E poética. ©2003 Cia. de Dança Deborah Colker Todos os Direitos Reservados
07/12/2004 Publicada por Demetrio Teodorov
|
Demetrio, seu site é mesmo um dos melhores do UOL. Parabéns!!
30/08/2005 17:56
Gisela Rao
giselarao@lewlara.com.br
Oi!! Visite o meu site. com certeza vc, que gosta de música, vai adorar. bjos. http://boa_musica.zip.net/
02/02/2005 15:04
Nancy
nancy@nancy.com.br
http://boa_musica.zip.net/
_______________________ @@@____________________ ______________________@____@________________________ ____________@@@_____@_____@________@@@______________ __________@_____@____@_____@______@____@____________ __________@_____@____@_____@_____@_____@____________ ___________@_____@___@_____@____@_____@_____________ ___________@_____@___@______@___@____@______________ ___@@_____@_____@___@______@__@____@________________ __@___@____@_____@__@______@_@_____@________________ _@_____@____@______@_@______@______@______@@@_______ __@_____@____@______@________________@_@@______@____ __@_______@_@__________Passei____________________@__ ____@__________________Pra_______________________@__ _____@____________________Dar__________________@____ ________@______________UM___________________@_______ __________@_____________Oizinho!!!__________@________ ____________@____________________________@__________ ______________@_________________________@___________
06/01/2005 07:32
Alex Cruz de Malta
alexcmalta@uol.com.br
http://alexcmalta.fotoblog.uol.com.br/
Recomeço... Chegamos ao final de mais um ano, de mais uma etapa de nossas vidas; Momentos de alegria, felicidade e muitos obstáculos superados. Agora chegou a hora de nos confraternizarmos na expectativa de mais um ano com esperança de grandes realizações. Nossos melhores votos de um e um Ano Novo cheio de prosperidade!
29/12/2004 22:01
Alex Cruz de Malta
alexcmalta@uol.com.br
http://alexcmalta.fotoblog.uol.com.br/
Oie !! (`'•.¸(`'•.¸ ¸.•'´) ¸.•'´) «`'•.¸.¤ Passei ¤.¸.•'´» (¸.•'´(¸.•'´ `'•.¸)`' •.¸) ¸.•´ ( `•.¸Só para lhe desejar um Feliz Natal `•.¸ ) ¸.•)´e um Ano Novo repleto de Sucesso, (.•´ Realizações, Saúde e Amor... *´¨) ¸.•´¸.•*´¨) ¸.•*¨) (¸.•´ (¸.•` *
24/12/2004 02:08
Alex Cruz de Malta
alexcmalta@uol.com.br
http://alexcmalta.fotoblog.uol.com.br/
Demetrio, que na Noite de confraternização universal as mãos se unam e os corações se encontrem num só pensamento de Paz e Amor, para que o Natal seja sempre Natal. Boas Festas Bjuss Abração
20/12/2004 21:07
Alex Cruz de Malta
alexcmalta@uol.com.br
http://alexcmalta.fotoblog.uol.com.br/
fui ao espetáculo de débora e me transportei para outro tempo-espaço. não percam a oportunidade de ir. demais!
15/12/2004 20:25
carol macedo
anna_ankh11@hotmail.com
cara... demetrio.. muito sensivel vc... demais as fotos e a reportagem da d. colker abraço alvaro
09/12/2004 11:39
alvaro
mottaal@ig.com.br
Ei amigo,sempre abalando no seu bm gosto,bjs
07/12/2004 14:37
Alex Cruz de Malta
alexcmalta@uol.com.br
http://alexcmalta.fotoblog.uol.com.br/
lindo seu trabalho. É bom demais perceber que ainda podemos surfar na rede e nos encantar, o que é totalmente o seu caso. BJS mis desde Vitória. Surfe pelo meu mar...!
07/12/2004 10:44
pataxó
pataxo@yahoo.com
http://www.pataxo.lima.fotoblog.uol.com.br
|





